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Notícia - Diminuição do Desejo...
Diminuição do Desejo...
Porquê meu desejo sexual está diminuído? O que fazer?
Para iniciarmos essa temática, é importante nos lembrarmos que no início do século XX, as mulheres não tinham queixas sobre dificuldades sexuais e muito menos se queixavam de diminuição do desejo sexual, pois nem sequer era permitida a mulher daquela época sentir desejo ou tesão!
O interesse sexual não era um comportamento adequado para uma “mulher direita” que desejasse se casar e ser bem vista socialmente, a demonstração de desejo sexual era um comportamento vivido por “mulheres fáceis”, também chamadas de “mulheres da vida”!
Nos últimos 100 anos muitas coisas mudaram com relação ao conhecimento e a vivência da sexualidade. A mídia vem colocando a sexualidade em tudo que vemos, novelas, propaganda de carro, de cerveja e até em propaganda de pneu, as revistas femininas e masculinas dão receitas para o prazer ideal e para uma freqüência ideal de sexo, que espera que a mulher seja repleta de desejos e ardente por viver a sua sexualidade!
Mas será que o desejo está diminuído? ou será que estamos comparando nossa freqüência sexual com a dos outros?
É importante tomarmos consciência de que não existe uma freqüência ideal para ter vontade de fazer sexo, o importante é perceber se o casal está satisfeito com sua freqüência sexual, e procurar valorizar mais a qualidade da transa do que o número de vezes que ela acontece (ou que ela deixa de acontecer!).
Mas nos consultórios de médicos e psicólogos especializados em sexualidade humana, é cada vez mais freqüente as queixas e a busca de solução para as dificuldades sexuais, e é evidente o crescimento das queixas relativas a “Diminuição do Desejo sexual”. Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, de 20 a 30% das mulheres sofrem de inibição de desejo.
Mas afinal, o que vem a ser esse desejo sexual?
Podemos entender o desejo sexual como as sensações, à vontade que nos leva em busca da atividade sexual, com que freqüência ou com que intensidade a pessoa tem vontade de sexo. O desejo está relacionado aos motivos que nos levam a ter interesse pelo sexo. Algumas vezes o desejo sexual só surge no decorrer das carícias preliminares do casal, provocando excitação.
Segundo muitos estudos, o que motiva a mulher para o desejo sexual em relacionamentos estáveis, é a busca de intimidade emocional e seu desejo de maior proximidade, de contato corporal, toques, abraços, beijos, carícias e de ouvir elogios, declarações de tesão e de afeto em um clima de enamoramento. Já o desejo sexual masculino tem na sua motivação uma maior valorização para os estímulos visuais, como ver revistas pornográficas, assistir filmes, salas de sexo na internet ou até mesmo um strep tease de sua parceira .
Mas as pessoas com diminuição de desejo apresentam uma redução ou até mesmo a ausência de pensamentos que revelem interesse sexual, de fantasias, de iniciativa para atividades sexuais, ou seja, elas não pensam em sexo, não conseguem fantasiar, não consegue criar uma expectativa de como ela gostaria que fosse seu encontro com aquela pessoa, e com esse pouco envolvimento no desejo de viver um encontro sexual, muitas vezes acabam ficando insatisfeitas consigo próprias, com uma auto-estima rebaixada, o que facilita ainda mais a ocorrência de dificuldades de relacionamento com o parceiro.
A Diminuição do Desejo sexual, pode ser um problema físico? É verdade que motivos orgânicos - associados a algumas doenças, a alterações hormonais, ao uso de drogas, ao cansaço físico e mental possam provocar uma diminuição de desejo . Também é uma situação freqüente a diminuição de desejo acontecer como conseqüência de uma doença sexualmente transmissível que venha a provocar um desconforto na hora da transa. Daí a importância de estar sempre atento ao seu corpo e fazer avaliações médicas periódicas.
Mas na verdade, observamos que as dificuldades associadas ao desejo sexual, são, na maior parte das vezes, de ordem psicológica e social. Podemos pensar em situações ou em motivos inibidores do desejo como: relacionamentos complicados com parceiro, chefe, sogra, vizinho; perda de emprego, em conflitos emocionais: como o medo de intimidade, a culpa frente a possível vivência sexual, o estresse, a ansiedade, a insegurança quanto ao desempenho sexual, entre outros. A baixa auto-estima, a depressão e situações de perda de pessoas queridas também podem provocar queda no desejo.
É preciso lembrar o importante papel desempenhado pela a aprendizagem familiar e por vivências sexuais destrutivas na ocorrência de inibição do desejo sexual. A aprendizagem da sexualidade recebida da família é marcante na forma como as pessoas irão viver a sexualidade futura.
Quando a educação familiar recebida foi sexualmente castradora e reforçada por crenças religiosas do tipo: – “sexo é pecado”, “são desejos impuros”, “vontades e pensamentos sexuais levam a perdição”, “essas coisas são demoníacas”, ou se essa educação teve normas morais familiares inibidoras da sexualidade, tais como: – “sexo é putaria”, “ele só vai abusar de você e depois vai procurar uma moça direita pra casar”, “se aprontar e nos envergonhar esqueça sua família”, as conseqüências dessa “educação” familiar podem ser muito marcantes na vida das pessoas e podem vir a interferir depois de muitos anos mesmo que a pessoa (homem ou mulher) não freqüente mais aquela religião, estejam casado(a) e não tenham motivos para envergonhar ninguém, é como se essas frases continuassem alimentando o medo, a culpa e inibindo o desejo sexual .
Por conseqüência destas atitudes familiares, algumas pessoas, principalmente mulheres, aprenderam a controlar tão bem o apetite sexual que não precisam evitar o desejo ou os pensamentos sexuais pois o desejo erótico se apresenta totalmente reprimido mesmo frente a mais excitante situação.
Há também aquelas pessoas que alimentam idéias negativas a cerca de si mesmas (“estou feia demais”, “não vou conseguir ereção”, etc) o que as faz evitar as sensações eróticas.
Outras escolhem o momento do ato sexual para evocar lembranças de situações não-eróticas (contas a pagar, o filho doente, ameaça de corte na empresa, a fofoca que a vizinha contou, etc) criando, com isto, um “desligamento” da relação erótica e tendo conseqüentemente uma diminuição do desejo sexual.
Outros fatores que influenciam no aparecimento e na intensidade do desejo, podem ser além da história de vida da pessoa, o estado de “apaixonamento”, a importância de criar situações com potencial erótico, a qualidade do estímulo sensual, o momento emocional em que se encontra a pessoa, sua
auto-estima. Além destes fatores, é importante o comportamento do parceiro como fator desencadeante do desejo, desde comportamentos como higiene pessoal, (afinal cheiro de suor e bafo de bebida são fatores antieróticos), como comportamentos de atenção, olhar nos olhos de sua parceira, ser gentil, entre outros.
Outro inibidor do desejo sexual pode ser a falta de sintonia sexual entre o casal. Isso acontece mais ou menos assim: um quer sexo e insiste, o outro não quer naquela hora e se irrita; com isso, o sexo vai perdendo a qualidade e desestimulando os parceiros para as próximas relações.
Situações como excesso de envolvimento com o trabalho e compromissos sociais também podem influenciar no interesse sexual, pois o cansaço no final do dia, prejudica o clima de namoro e de sedução, tão importantes para estimular o desejo. O mesmo pode acontecer com casais que ficam envolvidos com os filhos, netos e não conseguem reservar um tempo para viver o namoro, o desejo e a sexualidade.
Algumas pessoas iniciam relacionamentos, sentem desejo mas, quando aumenta a proximidade e o compromisso com o parceiro, há uma evidente perda no interesse sexual , provavelmente por medo de viver uma relação de intimidade.
Quando a diminuição de desejo sexual é situacional, ou seja, está acontecendo naquele período mas antes não ocorria, podemos dizer que a causa é sempre psicológica. Pode ser causada por situações comuns que podem acontecer na vida de um casal, como na gravidez e no pós-parto (puerpério), que além de modificações hormonais, provoca uma grande mudança na imagem corporal da mulher, e nos papéis sociais que esse casal vai assumir, essa nova responsabilidade geradora de ansiedade pode gerar uma inibição de desejo.
A diminuição de desejo na mulher pode estar associada a disfunções sexuais, isso ocorre quando há dispareunia, que é quando a mulher sente dor na hora da transa, e é importante ressaltar que a dor é, na maioria das vezes, inibidora do desejo sexual. Pode ocorrer também na anorgasmia, que é a ausência de orgasmo na relação, que pela frustração de não conseguir chegar ao do prazer pode levar ao desinteresse erótico. Essa inibição também pode ter relação com disfunções sexuais do parceiro, o que ocorre freqüentemente quando o homem tem ejaculação precoce – rápida, o que dificulta a mulher atingir o orgasmo e obter prazer na relação. Essa vivência repetidamente frustrante pela rapidez do parceiro, acaba reduzindo ou eliminando o desejo sexual da mulher.
Também podemos encontrar como inibidores do desejo sexual causas que envolvem violências sexuais (como o histórico de abuso sexual, estupro), o medo de engravidar, experiências obstétricas traumáticas (isso pode ser comum em casos onde houve aborto provocado e a situação ficou marcada pela dor psíquica e/ou corporal) e relacionamentos inadequados,(com chantagens, inseguranças, desvalorização ou super proteção do companheiro – a, entre outras inadequações).
Mas existem situações, entre um casal, em que a atração sexual pode ser mantida indefinidamente, num contexto onde a criatividade e o interesse pelo outro permitem contínuas descobertas. A atração e o desejo sexual podem ser mantidos em uma atividade sexual em que os parceiros consigam ter prazer dando prazer, cada um aprendendo a sentir satisfação com a satisfação do outro, assim, o desejo de um potencializa o desejo do outro.
Dicas para resgatar o desejo sexual:
• Controle sua saúde, exames médicos periódicos ajudam a afastar interferências orgânicas, (principalmente as alterações hormonais) para garantir seu prazer de estar bem!
• Descubra e pratique uma atividade física que lhe dê prazer, (pode ser uma simples caminhada diária), pois além de ajudar a aliviar o stress e a tensão, elas podem auxiliar na melhora do desejo sexual.
• Se houverem mágoas ou ressentimentos, procurem conversar e achar uma saída para não ficarem carregando esses lixos emocionais que só trazem afastamento entre os casais, e se estiver muito difícil, um terapeuta pode ajudar a reorganizar essa relação.
• Aprenda a descobrir as sensações que seu corpo pode lhe proporcionar, aprenda a tocar, a gostar de seu corpo e a perceber e estimular as sensações prazerosas.
• Aprenda a ousar, procure usar roupas, lingeries ou detalhes (pode ser um batom, um novo corte de cabelo) que valorizem sua sensualidade,
• Muitas vezes as pessoas reprimem suas fantasias sexuais com medo de serem imorais, mas no pensamento e na fantasia tudo é permitido, aprenda a estimular o desejo com suas fantasias.
• Para que se sinta vontade de fazer sexo é preciso pensar em sexo, isso ajuda a estimular as fantasias sexuais e melhoram o desejo sexual!
• Todo casal deve tomar cuidado para não virar pai e mãe, isso é uma cilada para a deserotização de um relacionamento! Reserve um tempo para vocês namorarem, não é deixar para quando sobrar tempo, aprenda a organizar um tempo para vocês dois! Sair, passear, jantar juntos e poder conversar pode ser um estímulo ao desejo! Só não vale falar de problemas com dinheiro, com as crianças, a sogra ou a vizinha!
• Alguns livros como, O Amante de Marguerite Duras, ou filmes como Nove semanas e meia de amor, ou Perfume de mulher, podem ajudar a despertar o desejo feminino.
• Tente! descubra a chave que abre o seu desejo e permita-se experimentar e saborear uma das mais prazerosas experiências da vida, desejar, desejar sexo, desejar amor, desejar carinho, desejar crescer e, desejar viver!
Bons desejos e Boas conquistas!
Arlete Mª Girello T Gavranic
Enviado por Arlete Mª Girello T Gavranic em 21/08/2009
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