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Notícia - Resposta sexual.... o que não acontece?

Resposta sexual.... o que não acontece?



Desde o último texto dessa coluna, recebi muitos e-mails com perguntas e pedidos de orientação para algumas dificuldades sexuais. Decidi então, escrever as próximas matérias abordando esses temas.
É cada vez mais freqüente a queixa relativa a dificuldades sexuais nos últimos tempos. Não que isso não ocorresse anteriormente, mas desde os anos 70 começamos a viver uma maior liberdade sexual.
Desde então, homens e mulheres tem se permitido viver mais sua sexualidade e a falarem mais desse assunto, e essas dificuldades são o que mais tem levado homens e, principalmente, mulheres a irem em busca de ajuda através da terapia sexual, realizada por alguns médicos e psicólogos especializados nesse assunto.
O significado do que chamamos de dificuldade sexual, conhecida no meio médico e psicológico como disfunção sexual, é a incapacidade de cumprir satisfatoriamente, adequadamente, uma ou mais fases da resposta sexual.
Para entender a sexualidade humana, é importante saber um pouco mais do que acontece nas quatro fases da resposta sexual:
1. desejo;
2. excitação;
3. orgasmo e
4. relaxamento .
A fase do desejo é uma etapa mais subjetiva, sem tantas manifestações físicas evidentes, ela está mais relacionada às fantasias, aos motivos que nos levam a desenvolver um interesse, à vontade de sexo . É o desejo que impulsiona a pessoa a uma vivência sexual, em busca de excitação, orgasmo e o conseqüente relaxamento . Na fase do desejo a disfunção sexual que é mais freqüente é a Diminuição ou a Ausência de desejo sexual.
A fase da excitação manifesta-se fisicamente pelos fenômenos de ereção no homem e lubrificação na mulher, alem de um rubor, pela maior concentração sanguínea no rosto, costas e coxas. Subjetivamente, caracteriza-se por uma crescente sensação de excitação sexual.. Na fase da excitação, as queixas mais freqüentes se referem à disfunção erétil (dificuldade de ereção), ao desconforto ocasionado pela falta de lubrificação, e a sensação de dor no ato sexual (também chamada de dispareunia).
A fase do orgasmo consiste em um quadro de contrações musculares reflexas. Do ponto de vista psicológico, é caracterizada por uma intensa sensação de prazer sexual, perda da acuidade dos sentidos, sensação de desligamento do meio externo, chamada por Kinsey de “la douce mort”. Nessa fase do orgasmo, a queixa de disfunção sexual mais freqüente é a anorgasmia (ausência de orgasmo) nas mulheres, e a ejaculação precoce nos homens.
A fase de relaxamento caracteriza-se pelo gradual retorno do organismo às condições anteriores a excitação. Há um relaxamento muscular e uma descongestão sangüínea e, subjetivamente é marcada pela sensação de alívio e cansaço, com retorno à estrutura sensorial. Não encontramos nessa etapa, queixas de disfunções.

As pessoas que sofrem de disfunções sexuais, ou seja, que tem dificuldade de cumprir satisfatoriamente, uma ou mais fases da resposta sexual, muitas vezes acabam ficando insatisfeitas consigo próprias e conseqüentemente , acabam desenvolvendo dificuldades de relacionamento com seus parceiros.
Essas dificuldades sexuais podem ser decorrentes de um ou de vários fatores combinados, esses fatores (também chamados de causas) podem ser orgânicos, psicossociais, e ou por conflitos emocionais.
• causas orgânicas – essas causas podem ser, entre outras, por conseqüência de doenças neurais, endócrinas e venosas que em geral podem trazer alterações, mesmo que passageiras, no desempenho sexual ; alterações hormonais, como por exemplo, as que acontecem no pós-parto com o aumento da prolactina, ou próximo à menopausa com a alteração nos níveis de estrógeno e progesterona. Patologias que prejudiquem a produção de testosterona também podem resultar na perda de libido pois a atividade dos centros sexuais depende da testosterona, portanto, a deficiência deste hormônio pode produzir uma redução no desejo sexual, em ambos os sexos. O sedentarismo ou , como o excesso O uso de álcool, drogas, (mesmo aquelas utilizadas para tratamentos médicos), pode provocar alterações na libido. Entre as drogas que reduzem a libido, tem-se os narcóticos (como por exemplo, a heroína, a morfina); altas doses de álcool, barbitúricos e outras substâncias hipnóticas e alucinógenas, as anfetaminas e a cocaína após uso crônico e em doses elevadas; certos agentes hipertensivos de ação central, antidepressivos tríciclicos, entre outros.

• causas psicossociais – as causas psicossociais das dificuldades sexuais podem ser decorrentes da vivência em relacionamentos familiares ou profissionais complicados, com hostilidade, lutas de poder, exigência de padrões rígidos de comportamento/moral no grupo de pertença (seja a família, igreja, escola ou local de trabalho), estresse, ansiedade, situações de perda de emprego, entre outros motivos.
• conflitos emocionais - as dificuldades sexuais podem ser originadas ou intensificadas pelos conflitos emocionais, como os que envolvem a insegurança quanto ao desempenho sexual, o medo de não conseguir atingir o orgasmo, ou mesmo o receio da vivência de mais uma frustração por nunca chegar lá; o medo de intimidade, a culpa pela vivência sexual (essa culpa pode acontecer mesmo quando essa sexualidade é vivida dentro de “padrões oficiais”), como um boicote ao próprio prazer, ou a influência de problemas e preocupações que ocorrem fora da área sexual, como a baixa de ato-estima, a depressão ou a perda de alguém querido.

Depois dessa leitura, se conseguir identificar em você alguma dificuldade para cumprir as fases da resposta sexual, já pode começar a mapear quais os fatores que estão presentes na sua vida e que podem estar impedindo você de ter um desempenho sexual satisfatório.

É importante lembrar que as vivências sexuais humanas dependem de um corpo saudável e por isso é importante verificar como andam as coisas com você! Mas não é só o corpo que propicia uma vivência sexual satisfatória, a maneira como vivemos e pensamos nossas emoções e nossa sexualidade é determinante na qualidade de vida e de prazer sexual que poderemos usufruir.
• Cuidar bem do seu corpo
• evitar fatores prejudiciais como o álcool, drogas, o sedentarismo ou o estresse físico,
• cuidar de suas emoções,
• “jogar fora o lixo emocional”, as culpas, medos, a raiva, as mágoas acumuladas que em nada poderão te ajudar a ser feliz,
• começar... aprender.... investir na sua auto-estima,
• investir em uma maneira assertiva de ser e de se relacionar com a vida, tentando tirar dela muito prazer por ser você!

Mas nem sempre é tão fácil recuperar essa postura equilibrada, confiante e prazerosa, mas não pense que só você vive essa dificuldade!
Hoje sabemos que 60% dos relacionamentos apresentam algum tipo de disfunção sexual, em maior ou menor intensidade, o que na maioria das vezes é gerador de insatisfação pessoal e conseqüentemente, para o casal, gerador de um afastamento progressivo se esses não forem submetidos a uma ajuda especializada. O mais importante é acreditar que existe uma maneira de conseguir viver satisfatoriamente a sexualidade, e buscar ajuda sempre que for preciso!
Boa sorte nas suas buscas!




"Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. Porque corpos se entendem; as almas, nem sempre"
(Manuel Bandeira, poeta)



Enviado por Manuel Bandeira, poeta em 21/08/2009