Profissionais

A Psicologia aplicada à Odontologia não é uma especialidade odontológica, nem um ramo da psicologia. É uma atitude geral que postula uma visão integrada do homem, na sua unidade corpo-mente, considerando seu ambiente físico e seu meio sócio-cultural (Seger, 1988, 2002, 2009).

Para que se possa estabelecer uma relação profissional-paciente satisfatória, o primeiro necessita saber o que pode ocorrer ao corpo do indivíduo quando seu estado emocional está alterado e o que pode ocorrer ao estado emocional e ao comportamento do indivíduo quando seu corpo adoece - os fatores psicossomáticos e os somatopsíquicos.

O homem é um ser bio-psico-social e qualquer alteração em uma dessas unidades alterará as outras, não há, nem pode haver, uma separação entre psique e soma, o que um experimenta o outro exprime. Portanto, para que se obtenha um completo tratamento, é necessário conhecer que alterações ao nível do corpo e dos processos mentais ocorrem, em termos fisiológicos ou funcionais, simultaneamente.

A Psicologia aplicada a Odontologia se aplica a todas as especialidades odontológicas, que abarcam desde o clínico geral até os especialistas em suas respectivas áreas de atuação, isto significa que em cada especialidade existem aspectos emocionais que necessitam ser avaliados e que contribuem para o agravamento, inicio ou perpetuação de inúmeros problemas.

Por ex., na Odontopediatria e Ortodontia existem situações onde os aspectos emocionais tem uma grande relevância, pacientes com hábitos inadequados como; sucção do polegar, onicofagia, sucção de língua, lábios, bochechas, medos, fobias, dificuldades do uso de aparelhos,etc.

Na Periodontia, o stress tem uma intensa participação na iniciação e/ou agravamento das doenças periodontais, etc.

O surgimento de algumas lesões bucais pode estar relacionado a um quadro de stress. Com as alterações do sistema imunológico, as lesões tornam-se mais suscetíveis (ulcera aftosa/ Periadenite Mucosa Necrótica Recorrente Cicatrizante, Úlcera factícia, GUNA, Gengivoestomatite Herpética Aguda, Herpes Simples Recidivante, Herpes Labial, etc.). O hábito de morder algumas regiões da mucosa bucal também é responsável pelo surgimento das úlceras. O hábito de roer unhas, por ex. – relacionado em alguns casos a algum distúrbio emocional ou estresse – leva a pessoa a morder a língua ou os lábios sem se dar conta e acaba causando feridas.

Nos pacientes com Distúrbios Temporo Mandibulares (DTM), é notório o agravamento dos sintomas, quando estão submetidos ao Distress.

Sabe-se que o Distress, também tem um papel acentuado no bruxismo, com um ciclo de resposta que gera tensão muscular nas regiões de cabeça e pescoço aumentando a ansiedade do paciente que por sua vez aumenta o espasmo muscular, que acentua o bruxismo, etc.

Verificou-se que muitos dos pacientes com DTM, possuem certas características de personalidade que freqüentemente os leva a envolver-se em situações psicológicas estressantes. Eles têm mais dificuldades em lidar com essas situações e, quando sob tensão, tendem a somatizar. De acordo com Seger-Jacob (1992), algumas características de personalidade são freqüentes nesses pacientes, tendem a apresentar depressão e muitos tem características de rigidez e perfeccionismo.

Tem-se obtido bons resultados com a associação do tratamento odontológico concomitantemente com o psicológico, Seger-Jacob,(1990). Em outro estudo, Seger (1989), observou que dentre os pacientes atendidos com disfunção da ATM, 89,6% necessitaram de atendimento psicológico, restando apenas 10,4% que não necessitaram esse tipo de tratamento.

Uma das primeiras coisas que o profissional descobre sobre esses pacientes é que sofrem de dor (geralmente crônica), e de "várias" moléstias. O clínico atento, ao conduzir a anamnese, perceberá que acabam aparecendo às tensões e os comprometimentos (emocionais, comportamentais, sociais e ambientais), que geralmente precedem a instalação dos sintomas agudos. É interessante notar que a percepção do stress por esses pacientes é muito pequena[1].

Geralmente é necessário que o terapeuta ensine a esse paciente técnicas de relaxamento para alívio dessa tensão.

Os aspectos psicológicos também são evidentes nos diversos casos cirúrgicos (prognatismos, retroprognatismos, fissuras lábio-palatais, tumores faciais, etc.), onde encontramos os aspectos somatopsíquicos, isto é alterações no corpo iniciando ou agravando transtornos emocionais.

Temos ainda os pacientes com dificuldades de adaptação ou aceitação das próteses, pacientes que sentem os efeitos emocionais da perda dos dentes.

Outro grupo que requer atenção são os pacientes geriátricos, que são cada vez mais numerosos, estão cada vez mais participativos e ativos e os profissionais precisam eliminar os estigmas associados a velhice, pois muitos idosos estão plenamente capacitados para decidir e resolver o que esperam do tratamento.

Na área da implantodontia, um número cada vez maior de pacientes esta desejoso desse tratamento, e a necessidade de avaliar as possibilidades ou impossibilidades frente a cirurgia e todas suas implicações emocionais.

Os Pacientes Especiais: deficientes auditivos, visuais, físicos, mentais, autistas, paralíticos cerebrais, pacientes sindromicos, gestantes, cardiopatas, ou seja, todos os pacientes que requerem cuidados e tratamentos especiais, tem suas particularidades que também necessitam um maior entendimento dos aspectos emocionais relacionados a cada uma dessas necessidades.

Na maioria dos casos, o paciente não sabe - qual é a relação entre o "seu problema" e os aspectos emocionais. Devemos esclarecê-la usando dos conhecimentos de Odontologia e Psicologia, estabelecendo as relações entre a sintomatologia física e os componentes emocionais agravantes. Todo profissional de saúde, não pode deixar de lembrar do seu papel educativo tanto na clinica quanto fora dela, no ambiente em que vive e se relaciona.

É muito importante, esclarecer, que o trabalho do Psicólogo consiste numa Terapia Breve denominada de TCD - Terapia Centrada na Disfunção.

Na TCD a prioridade está no componente emocional que está agravando a sintomatologia física, muitas vezes causando-a. Uma vez que o paciente tenha aprendido a lidar com as situações que lhe trazem stress, ou seja, quando tiver eliminado a queixa, o tratamento estará concluído.